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Possíveis efeitos da atividade física em idosos
Com a evolução do conhecimento gerontológico, tornou-se mais evidente que o determinante maior do estado de saúde não é um órgão ou sistema isoladamente, mas o estado funcional do conjunto, nele incluindo os aspectos emocionais e ambientais, conforme o conceito de saúde da OMS, previamente apresentado.
Embora esta definição seja aplicável a qualquer faixa etária, é particularmente significativa entre os idosos, por permitir um adequado estado de saúde com as doenças devidamente diagnosticadas e tratadas. Isto propicia que o processo de envelhecimento possa transcorrer de maneira natural, sem as limitações impostas pelas doenças cujas conseqüências são a exclusão do idoso das atividades previamente desempenhadas.
Para atingirmos este objetivo, principalmente em grande escala, devemos reconhecer quais são as principais limitações que desabilitam o idoso, comprometendo sua autonomia e independência.
Como já foi apresentada anteriormente, a maior parte das suas causas está intimamente relacionada ao sedentarismo e pode, em conseqüência, ser prevenida ou tratada com estratégias que envolvem a atividade física nas suas mais diferentes modalidades e com os mais diversos objetivos.
Ampliaram-se, portanto, os universos de atuação e ainda mais os de possibilidades a serem alcançadas.
No passado, classicamente, os programas de atividade física, principalmente baseados em exercícios aeróbicos, buscavam incrementar a reserva funcional do aparelho cardio-circulatório, otimizando o seu desempenho hemodinâmico na intenção de otimizar a distribuição e a captação de oxigênio periférico.
Admitia-se ser este um aspecto fundamental por entender, erroneamente, que as doenças do aparelho cardiovascular seriam as principais responsáveis pelas limitações dos idosos.
Foi nesta última década, porém, que os estudos foram dirigidos para um outro segmento da condição da saúde do idoso: a sua funcionalidade global. Estas e outras co-morbidades, isoladas ou em associação, foram reconhecidas como igualmente responsáveis pela maioria das incapacidades dos idosos.
Disto decorre uma possibilidade de atuação muito mais ampla e globalmente dirigida. Para tal, a prática de atividade física vem sendo progressivamente estudada na sua capacidade de reduzir a probabilidade de ocorrência da maior parte das doenças (ação preventiva) ou contribuir para a eficácia da sua recuperação (ação terapêutica).
Embora os efeitos da atividade física sejam mais explícitos na segunda metade da vida, serão ainda mais evidentes se o sedentarismo for combatido desde as idades mais precoces. Trata-se, portanto, de uma medida de saúde que deve ser estimulada em todas as idades.
Esta grande diversidade de objetivos e as crescentes evidências das possibilidades da atividade física como agente promotor da saúde exigiu o estudo de outras formas de exercícios para atingir objetivos mais amplos, visando o maior desenvolvimento da capacidade funcional do idoso.
Neste propósito, destaca-se a importância da preservação ou desenvolvimento da capacidade motora do indivíduo que envelhece, reconhecendo seus principais determinantes. Sabe-se, por exemplo, que flexibilidade e a força muscular diminuídas são as maiores limitações para as atividades da vida diária.
A quase totalidade das atividades cotidianas depende da associação destas variáveis: andar em segurança, levantar-se de uma cadeira ou do vaso sanitário, subir ou descer uma escada, cuidar da casa ou fazer compras são exemplos evidentes de como a aptidão motora determina a condição funcional do idoso.
Por outro lado, as quedas representam importante situação de risco entre idosos, não apenas pela sua potencial capacidade de provocar traumas e fraturas, mas também pelas suas conseqüências emocionais, hoje conhecidas como "síndrome pós-queda". Atualmente já se reconhece que a redução da força muscular é o principal fator relacionado às quedas em idosos.
Torna-se, portanto, fundamental que as ações preventivas sejam dirigidas não apenas a um fator isolado, mas também para todos os envolvidos no processo. Este é um bom exemplo para justificar a crescente ênfase que a literatura científica vem dando aos exercícios realizados contra resistência mecânica, mais conhecidos como exercícios resistidos, com pesos ou musculação. Trata-se de um treinamento muito eficiente para aumentar a força muscular, a densidade óssea e a flexibilidade de idosos, mesmo aqueles mais longevos ou portadores de intensa co-morbidade, adaptando-os aos limites de amplitude que eventuais processos degenerativos possam determinar.
Há situações porém, em que o idoso tem de ser tratado em outro tipo de modalidade, mesmo que seja apenas para vencer artigos, preconceitos ou prévias indicações. O profissional habilidoso deverá conduzir sua orientação preferencial fornecendo o caminho e o tempo necessário para atingir os objetivos programados.
Esta é mais uma evidência de quão peculiar pode ser a orientação do programa em idosos e de como a combinação de diferentes estratégias de prática da atividade física permitem a obtenção de resultados não alcançáveis com qualquer destas atividades isoladamente.
Outro bom exemplo de efeito a ser alcançado com a prática de atividade física por idosos é a redução da gordura corpórea, em função da verdadeira epidemia que a obesidade representa hoje em todas as idades, mormente entre idosos, independente dos níveis sociais. A perda de peso pode ser obtida tanto por exercícios aeróbios quanto pelos anaeróbios como a ginástica com pesos. Seus efeitos são, porém, potencializados com a associação destes com a dieta hipocalórica. Este efeito é ainda mais pronunciado nos exercícios com pesos por causa do aumento da massa magra.
Nos diabéticos, a atividade física em geral é útil não apenas em função da captação de glicose insulino-independente durante os exercícios, mas também em caso do aumento da sensibilidade insulínica nos músculos. Os exercícios com pesos parecem ser particularmente úteis por causa do aumento da massa muscular, o que leva a uma maior quantidade de tecido captador de glicose, mesmo em repouso.
Distúrbios posturais e doenças pulmonares crônicas são algumas situações nas quais a atividade física desempenha importante papel na recuperação das aptidões. Dentre todas as técnicas utilizadas, detecta-se que aquelas que provocam aumento de força e elasticidade muscular são as que permitem maior adaptação às limitações existentes.


