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Nutrição e envelhecimento
Estamos vivendo um importante momento na história da humanidade. Nunca tivemos tanta chance de envelhecer. Ademais, nas próximas décadas, dois terços da população com 60 ou mais anos de idade.habitarão os países em desenvolvimento. Isto significa que, simultaneamente às demandas referentes às primeiras décadas de vida, teremos que nos preocupar e resolver os problemas de saúde da população que mais crescerá até 2025. quando seremos mais de 34 milhões de idosos brasileiros.
A importância das aquisições quantitativas que marcaram o Século XX será dependente de quanto conseguirmos implementar a condição funcional de quem vai envelhecer no Século XXI.
Dentre os muitos fatores que permitiram o aumento da expectativa de vida e de sobrevida, a nutrição se destaca como fundamental. Já temos evidências consistentes de que as condições de desenvolvimento, desde a fase intra-uterina até as idades mais avançadas são determinantes do estado de saúde atual e futuro.
Por outro lado, também já é inequívoca a importância da participação alimentar nos processos fisiopatológicos das principais doenças que acometem aquele que envelhece.
Torna-se fundamental, portanto, que saibamos reconhecer as particularidades específicas de cada período do desenvolvimento, evitando as deficiências e os excessos e sabendo prever as conseqüências de cada desvio alimentar sem comprometer as preferências individuais e os valores culturais apurados por muitos anos.
Comecemos por reafirmar que não há dieta ideal para o idoso, muito menos aquela que promova o rejuvenescimento ou perpetue a eterna juventude. Estão, porém, cada vez melhor conhecidas as recomendações alimentares capazes de promover o envelhecimento saudável, contemplando as necessidades calóricas e estruturais do organismo, conforme as peculiaridades de cada fase do desenvolvimento.
Isso significa que idosos não são todos iguais e que a maior parte das limitações apresentadas não se devem à idade, mas sim às suas co-morbidades (múltiplas doenças crônicas) e à conseqüente polifarmácia (múltiplos medicamentos).
Excessos e privações alimentares não têm apenas conseqüências imediatas, mas também são fatores cumulativos, freqüentemente associados a disfunções tardias.Decorrem, em geral, de conceitos não fundamentados, há muito arraigados na cultura popular.
Frequentemente são oferecidos cardápios fundamentalmente compostos de carboidratos, por serem considerados mais “digestivos” para os idosos. Provocam não apenas a desnutrição protéico-calórica, a deficiência de fibras alimentares, de vitaminas e oligoelementos, além da obesidade que agrava consideravelmente as limitações funcionais nesta idade.
Não é difícil prever que o sedentarismo associado ao excessivo consumo calórico leva às progressivas diminuições da massa muscular e acumulo da massa gordurosa, com conseqüente prejuízo da capacidade funcional e predisposição para as doenças metabólicas.
É necessário, portanto, que encontremos quais as recomendações nutricionais adequadas à cada fase da vida. Para tal, faz-se necessário sistematizar as pesquisas científicas em nosso meio, associando os interesses públicos e privados em torno de uma proposta de atuação realmente eficaz, responsável pelas diretrizes de avaliação e de intervenção que visem a Promoção do Envelhecimento Saudável.


